Compartilhamentos e valores dos cursos – um desabafo

*por Marcello Bolzan

Olá pessoal, virá um “textão”. Importante. Desculpem.

Há pouco tivemos um post aqui no grupo “Instituto Rio Branco – Low Profile” sobre compartilhamento de acessos de aulas. A vítima foi o IDEG, mas poderia ter sido qualquer outro curso. Então, gostaria de falar sobre isso. Principalmente, ao argumento central que é usado para justificar tal prática.

Por óbvio, compartilhar cursos fere o contrato do IDEG e imputa penalização legal. Nenhum conteúdo pode ser replicado, compartilhado ou revendido. Isso afeta direitos autoriais e de imagem. Além, é claro, de afetar a estabilidade financeira da instituição e desequilibrar o mercado. Ou seja, uma prática absurda, desonesta e perigosa. Vamos falar sobre o principal argumento usado para justificar esse comportamento.

Antes, veja o post de que falo:

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Algo repetitivo que ouço é “os cursos da diplomacia são caros”. Pensemos sobre isso – até mesmo porque, essa questão mostra desconhecimento econômico (o que não se deve ter, porque cai na prova). O preço da preparação ao CACD é reflexo de coisas simples:

1) segmentação de mercado. O mercado é pequeno pela própria realidade da prova. Claro, estamos tentando lutar contra isso. Quando comparado a outros nichos de concurso, esse fato é perceptível. Enquanto concursos como Receita Federal, ou mesmo ABIN, possuem dezenas de milhares de candidatos, o CACD não. Chega a poucos mil. Isso limita o mercado, óbvio. Sem escala, o preço sobe.

Infelizmente, ainda vejo alguns poucos diplomatas com zil anos de carreira dizendo que é um absurdo o preço que se cobra. Mas, são os mesmos que defendem a elitização do concurso e que deveriam conhecer a lei da demanda e da oferta. Ao invés, de abrirem portas, fecham.

Além disso, e desculpem o desabafo que faço aqui, as medidas ou “políticas” de produção de acesso tem se tornado cada vez mais “marketing relacionado à causa” – muitas vezes, saindo de dentro do próprio ministério ou mesmo usadas para promover indivíduos e não instituições, o que torna o mercado ainda menor. O IDEG sempre concedeu bolsas, ajudou quem quer que seja e nunca estampou isso em publicidade. Nunca. Portanto, para se criticar um mercado, seu preço, etc… analise o mercado antes e veja a conjuntura na qual ele está posicionado – sem esquecer as questões estruturais.

2) O custo de operação para a preparação ao CACD é um dos maiores, no mundo dos concursos públicos, dada a especialização do corpo docente e da complexidade da proposta pedagógica. E, sobretudo, é elevado para a produção de uma proposta séria e integrada como a do IDEG. Os professores e a estrutura operacional não são baratos, são experientes e têm liberdade de trabalho aqui na escola. Não fico mendigando carga horária. Tudo isso não pode realmente ser barato. É especializado, difícil de formar. O IDEG leva em torno de dois a três anos para formar um professor referencial. Posso citar vários que tiveram a oportunidade de começar no IDEG. E nunca vi pessoas tão dedicadas. Por isso, é preciso remunerar bem. É justo, é honesto.

Para se ter uma ideia do que estou falando, tente achar um professor de envergadura no mercado e você verá. Nossos docentes são remunerados honestamente dentro do IDEG. Damos valor ao trabalho de quem ensina. Não temos o melhor corpo docente de graça. Jamais mexeria nessa questão para derrubar preços. Isso afeta qualidade e eu enganaria alunos, o que nunca fiz. E tenho a certeza de que o último a querer isso é você.

Pense que o trabalho do IDEG é a prestação do serviço de excelência que te ajuda a passar na prova do CACD. Veja quantas pessoas estão envolvidas para que tudo saia nos conformes. Veja as dificuldades enfrentadas. Pondere se você acha justo rebaixar os preços e lesar essas pessoas. A luta é abrir mercados, gerar acessos e não diminuir a qualidade daquilo que conquistamos. Esse é o nosso objetivo. É isso que deve motivar. Não redução de custos que comprometam o serviço prestado.

3) Compartilhamento de senhas e logins, etc… esses tipos de comportamento e desvios que – ao que parece – tornaram-se algo normal para algumas pessoas que querem ser servidores públicos no Brasil. Sou um homem do meu tempo e obrigado a ler coisas no Face. Vejo muitas pessoas levantando brados contrários à corrupção… assumindo posturas políticas… e sei que são os mesmos indivíduos que tentam, também, economizar uma “graninha” rompendo a ética e adotando postura corrupta ao compartilharem materiais não remunerados. Perdoem-me. No meu ponto de vista, esse tipo de incoerência só produz um ser distante daquilo que é ético e social.

Para mim, pessoas que atuam dessa maneira são as primeiras que não quero na vida política e muito menos como servidor público. Nem o Brasil e nem ninguém merece isso. Portanto, antes de querer ser diplomata, antes de querer entrar nessa… penso que a pessoa deve averiguar se há condições morais para que se assuma o cargo. Se não houver, ela simplesmente não serve. Não há motivo nessa luta. Ela é ruim, não vai ajudar. Portanto, que fique longe do cargo público. Infelizmente, não é e nem nunca será qualificada para a diplomacia. Existem pessoas muito melhores. Acredite. Antes de qualquer decisão, é preciso estar seguro (a) de que – independente do dinheiro que se tenha – é possível aguentar o tranco de ser honesto. Porque se não aguentar, é melhor cair fora.

Acredito tanto nisso, que posso assegurar que não houve, até hoje, um aluno (a) que tenha sentado à minha frente – e em cujos olhos eu vi uma postura ética, moral e o desejo real de virar diplomata – e que não tenha sido ajudado financeiramente no IDEG. Não houve. Todos que me mostraram que serão diplomatas que eu e o Brasil queremos ter pode ter a certeza de que a escola gerou os meios para que a travessia fosse adiante.

Porque sempre foi assim no IDEG. E isso é que sempre tornou essa escola um local leve de preparação, com a proposta mais bem pensada. Não diga que cursos são caros. Me ajude a melhorar – junto dessa maravilhosa equipe docente e administrativa –  esse mercado de preparação. No IDEG, estão pessoas que todos os dias se preocupam com a preparação ao CACD. Nunca fiz disso um ato mercantilista. Inclusive, lutei e muito para que o mercado deixasse de ser mercantilista. Uma luta diária que mantenho até hoje.

Se professores são bem remunerados hoje – no mercado como um todo -, devem isso em parte ao IDEG, porque quando todos os cursos preparatórios ao CACD começaram a baixar valores salariais em 2015, o IDEG sustentou. Qualquer professor que tenha passado pelo IDEG sabe disso. Rebaixamos o valor da hora-aula paga pelo aluno para um terço do que era antes dessa escola existir. Basta fazer os cálculos ou conversar com a galera da velha guarda. Aumentamos a carga horária em mais do que o triplo, vá verificar. Nossa política de descontos é negociada caso a caso, desde o início da escola – mesmo com o crescimento não perdemos esse carinho – e chamamos alunos pelo nome. Não há no mercado quem não conheça a Luci e a Mari, que tanto ajudam no financeiro e viabilizam os estudos de muita gente.

Hoje lutamos para combater a assimetria de informação rompendo as estruturas de “pacotões fechados” – uma forma de prender o aluno a contratos, sem oferecer equalização na qualidade do corpo docente ofertado. Ao que parece o mercado está entrando na onda do IDEG, aos poucos. Isso é transparência.

A luta atual é contra a criação indiscriminada de ferramentas – sem conteúdo pedagógico (oferecidas como experiência de quem nunca passou, como orientação motivacional por quem não é psicólogo e como ensino e capacitação por quem não é docente) – oferecidas, indiscriminadamente, que não fazem mais do que drenar renda, na maioria das vezes, daqueles que chegam ao mundo do CACD. Ou seja, temos muitas coisas para fazer e a última coisa que eu quero é ter que me preocupar com aqueles que não servem para ser diplomatas porque são, a priori, corruptos. Infelizmente, é isso. Conheci pessoas maravilhosas nessa preparação e as conheço todos os dias. Porém, como sempre, há aqueles que se desviam. Uma pena. Mas, lembre-se de que você pode não ser conivente com isso. Basta não gastar dinheiro com o que não é efetivo. Olhar para a densidade das ferramentas e não se encantar com “modelos de mercado” agora replicados na educação.

No fim das contas, toda essa luta é e só pode ser por todos vocês. Por algo em que acreditamos muito. E isso se chama comportamento ético. Lutamos para rebaixar os preços, mas precisamos da ajuda de vocês. Práticas de compartilhamento e até mesmo pirataria adotadas no mercado apenas dificultam a sua vida. Porque acredite: você um dia irá precisar de nós. E vai pagar caro quando precisar, porque os preços não podem cair com rupturas morais. É uma regra de mercado simples. Pense corretamente, seja étic@. Entenda que isso pode tornar tudo mais barato para você – e rápido. Basta fazer o certo e ter respeito pelo trabalho árduo das pessoas. Principalmente, daquelas que lhe ajudam que estão ao seu lado na busca que você tomou como sonho.

Ao invés de criticar sem refletir, peço que todos juntem-se àqueles que querem melhorar tudo isso. Com proposta correta, trabalho sério e estudo dedicado. Não fico – nem ninguém do IDEG, garanto – aqui inventando ferramentas para tirar dinheiro de aluno. Formulo cursos, crio propostas, quero a sua aprovação. Prefiro dar um desconto e viabilizar o estudo a ter que conviver com uma prática desleal. Isso é frustrante e absurdo para quem pensa no outro. Ou seja, mostra a monstruosidade e a desumanidade da corrupção… simples, não? Desviar dinheiro público – rompendo contratos governamentais – de hospitais causa desequilíbrios sociais enormes. Romper contratos privados produz danos econômicos importantes e afetam muitas famílias. A relação é a mesma. Os impactos distintos, mas as causas as mesmas. Vamos fazer direito na preparação ao CACD. Temos essa oportunidade. Construamos um ambiente de vida social e econômico diferente daquilo que vivemos atualmente no país. Vamos melhorar e não piorar. Isso é ser humano.

Eu acredito no ser humano, antes de tudo. Por isso, convido a aluna que fez o post acima colocado – perguntando se havia pessoas interessadas em compartilhamento – para conhecer o trabalho do IDEG. E tenho a certeza de que chegará à conclusão de que vale a pena estudar conosco. Eu mesmo me encarrego de conceder um desconto se for necessário.

Com isso, mostro-me disposto a acreditar que – a exemplo dela – outros não compartilharão cursos não remunerados porque jamais conseguirão conviver com o peso da corrupção nos ombros. E que um erro pode ocorrer, mas deve ser corrigido. O IDEG viabiliza travessias e não derruba pontes. Portanto, acredita que a consciência errada hoje será – com oportunidade – expandida amanhã.

 

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